A integridade do Rio Almonda, que atravessa o centro de Torres Novas, é vital para a cidade.
Consideramos que o que acontece é que as entidades se preocupam apenas com o aspecto visual do rio, dando muito pouca importância ao ambiental.
A nossa participação no Concurso Cidades Criativas teve sempre como objectivo o melhoramento da cidade de Torres Novas. Para isso, procedemos, até agora, à detecção de problemas e à sugestão de maneiras de os resolver. Um dos principais problemas que tem baseado todo o nosso projecto tem sido o grande contraste e dificuldade de articulação entre o antigo e o moderno. Relacionado com isto surge-nos agora uma nova preocupação que pode ser exemplificada através da situação que se segue.
Em Abril de 2005, a Agência Lusa divulga a informação de que "Torres Novas vai ter um centro de Ciência Viva dedicado à energia e que será instalado numa antiga central eléctrica (...)". Mais tarde, em Junho de 2007 é publicado no site da Câmara Municipal de Torres Novas o mesmo projecto na secção das "Obras em Fase de Concurso".
O que acontece é que desde 2005 até à presente data nada aconteceu, não tendo ainda estre projecto chegado a ser atribuído a uma empresa.
Embora possa parecer algo sem valor, esta Central Eléctrica guardava "máquinas [que] seriam únicas no país e [que] estavam guardadas para o futuro Centro de Ciência Viva. Agora já para nada servem. Foram vandalizadas e muito do material que as constituía roubado". Professor Eduardo Bento in "Jornal Almonda"
Edífício do Caldeirão - Instalações da antiga Central Eléctrica de Torres Novas
É através de situações como estas que o património torrejano fica comprometido. Os projectos para a cidade de Torres Novas são muitos e o tempo que demoram a ser executados ( se o chegarem ) não é propriamente pouco. Os prazos vão sendo adiados até se prolongarem por períodos "infinitos".
Mais uma vez surge a discussão em relação à prioridade do moderno sobre o antigo. No caso que citamos valiosos marcos da história industrial torrejana desapareceram em nome de uma modernização que, até agora, ainda não aconteceu.
Será esse o futuro do nosso património?
"Actualmente, Torres Novas beneficia de obras de reabilitação no seu núcleo urbano. São várias as vertentes pensadas, em termos paisagísticos e de ordenamento do território, para apetrechá-la com equipamentos que contribuam para que se assuma como âncora de desenvolvimento do concelho e como pólo de atracção para os habitantes vizinhos. Num futuro próximo, uma nova cidade irá nascer... " in http://www.cm-torresnovas.pt
A reabilitação de uma cidade, o desenvolvimento de zonas que estão já degradadas, é sempre algo que traz benefícios. Porém, é preciso ter em conta que não deve haver apenas progresso. Deve haver um plano que vise integrar as estruturas históricas no contexto de uma obra moderna, que traga alguma vantagem à cidade.
No caso de Torres Novas, nem sempre é fácil conciliar aquilo que oferece progresso à cidade com o que já passou, os vestígios de "velhas glórias" que, no entanto, fazem parte da história da terra.
Surge agora esta "discussão" pois a nossa cidade foi sempre alvo de inúmeras ocupações por parte de diferentes povos. São, disso exemplo as ruínas de "Vila Cardilium", vestígios bem preservados da presença romana em Torres Novas. Percebe-se, então, que quando há uma escavação, estamos sempre na eminência de nos depararmos com restos de um "antigo presente".
Ora, estas situações têm já vindo a acontecer por várias vezes. Numa ocasião, procedia-se à abertura de um buraco nas imediações da Biblioteca Municipal quando foram descobertos os restos de uma moradia medieval num estado bastante razoável de conservação. Na altura optou-se por voltar a esconder as ruínas, para dar azo a um espaço que hoje em dia para nada serve.
Há poucos meses os funcionários da Câmara Municipal viram-se na mesma situação que à tempos tinha ocorrido. No decorrer de algumas obras de reabilitação da zona envolvente do Castelo, que vão criar uma zona unida constituída por espaços verdes e infra-estruturas de desporto e lazer, foi descoberta um pedaço da extensão da Muralha do Castelo. Embora possa parecer algo de pouco importante não o é, pois esta muralha pertenceria ao período da presença árabe em POrtugal, vindo assim a acrescentar mais um exemplar dos poucos deste género que existem no nosso país.
Extensão da antiga Muralha do Castelo de Torres Novas
Agora, a pergunta que se coloca é se será possível conjugar o antigo com o moderno. Ao esconder o antigo, estamos a esconder, também, a nossa história mas, no entanto, precisamos de evoluir, de criar novos espaços, o que vai obrigar ao tapar de inúmeros vestígios importantíssimos para a nossa história.
Na nossa opinião, esta pergunta lança um grande dilema que apenas pode ser resolvido de uma maneira: através da integração daquilo que é antigo no moderno ou do restauro.
O progresso cativa o Homem mas este não pode esquecer o seu passado.
Não sendo nosso desejo entrar em questões políticas, deixamos aqui um vídeo que mostra alguns dos aspectos negativos que a cidade apresentava há cerca de seis meses.
No entanto, podemos orgulhosamente dizer que a situação que é descriminada no vídeo encontra-se já a ser solucionada.
Recentemente, foi criado um programa, de nome CHERE (Centro Histórico em Requalificação Estratégica) que vem de encontro às sugestões por nós dadas num post passado.
Este terá uma área de intervenção bem definida e exclusiva nos Centros Históricos de Torres Novas e Lapas, dando prioridade à promoção da habitação, das actividades nas áreas da restauração e bebidas e ao reforço do comércio já existente.
O programa CHERE é especialmente virado para a juventude, que terá oportunidade de ser parte integrante de uma revitalização que se quer urbana, mas também social.
As vertentes de intervenção do programa, na vertente urbana, são a recuperação das fachadas e coberturas de edifícios, recuperação do interior de edifícios com vista a um objectivo definido e aceite pela autarquia e a dinamização dos espaços públicos.
Quanto à vertente social, pretende-se a promoção da habitação permanente no centro histórico, a implementação de actividades nas áreas de restauração e bebidas, de actividade comercial, desde que inovadora, ao nível das novas tecnologias, de actividades na área do artesanato, da cultura e do turismo e reforço da dinâmica comercial dos actuais estabelecimentos.
Para consultar a planta do "C.H.E.R.E." consulte:
Planta C.H.E.R.E. (Centro Histórico em Requalificação Estratégica)
Como nos foi proposto pela organização do CCC, exploramos, agora, os bons e os maus aspectos que a zona ribeirinha de Torres Novas apresenta.
A nossa cidade é atravessada pelo rio Almonda. Nasce na Serra de Aire e no seu percurso de
Além da poluição do Almonda, esta situação "pode ter efeitos nas espécies e na degradação da reserva natural do Paul do Boquilobo", disse.
A nossa sugestão é, pois, uma parceria entre a Câmara Municipal de Torres Novas e as empresas que, neste momento, são causadoras da poluição do nosso rio, a fim de se arranjarem soluções de tratamento das suas águas residuais.
No dia 25 de Janeiro, os representantes de um grupo de mais de 4000 pessoas, a maioria destas proveniente da aldeia do Pedrógão, no concelho de Torres Novas, passou a noite em vigília em frente ao Centro de Saúde manifestando-se contra a falta de assistência médica que sentem. Nas suas aldeias não existem médicos, o que as obriga a deslocarem-se para este Centro de Saúde esperando, em média, 6 horas a serem atendidos.
Grupo de torrejanos em protesto contra a falta de assistência médica que sentem
Isto vem demonstrar que não é só ao nível das suas infra-estruturas que Torres Novas se destaca pelo seu dinamismo. É também através das iniciativas que partem dos seus cidadãos.
Na nossa opinião, os serviços de saúde torrejanos não deveriam estar tão concentrados, isto porque Torres Novas é uma cidade de uma dimensão considerável que está rodeada por imensas aldeias que fazem parte do concelho. Cada aldeia deveria poder ter, pelo menos, um posto médico que assegurasse, através de meios informáticos, a transferência das fichas médicas dos doentes para o centro de saúde de Torres Novas ou para o Hospital. No entanto, tal decisão não nos cabe nem a nós, nem à Câmara, estando, pois, à mercê do Ministério da Saúde.
Mapa do concelho de Torres Novas que mostra o grande número de aldeias existente no concelho (o centro de saúde localiza-se na zona de cor azul escuro)
O "Active Life", o novo ginásio de Torres Novas integrado no Torres Fórum, foi apresentado no passado sábado, dia 19 de Janeiro. É constituído por duas piscinas, uma para aulas, outra para circuito de Spa, várias salas para aulas de grupo e cardio-fitness e ainda gabinetes para massagens e estética.
À disposição dos utentes vão estar aulas de grupo, hidroginástica e natação para bebés, cardio fitness, entre outras modalidades. Banho turco, sauna e hidromassagem podem também ser usufruídos no Active Life. Os utilizadores poderão ainda usufruir de aconselhamentos de nutrição.
O Torres Fórum é um novo complexo que, quando inaugurado, irá proporcionar uma maior qualidade de vida aos torrejanos e uma maior dinâmica à cidade.
«Quem visitou Torres Novas num passado recente, por certo se apercebeu de que pouco se acautelou para torná-la mais acolhedora. O investimento municipal foi remetido na sua maioria para as freguesias rurais, que viram reduzidas as suas principais carências. Agora é chegado o momento de intervir na cidade!
Actualmente, Torres Novas beneficia de obras de reabilitação no seu núcleo urbano. São várias as vertentes pensadas, em termos paisagísticos e de ordenamento do território, para apetrechá-la com equipamentos que contribuam para que se assuma como âncora de desenvolvimento do concelho e como pólo de atracção para os habitantes vizinhos. Num futuro próximo, uma nova cidade irá nascer... » http://www.cm-torresnovas.pt
No entanto, não foi só num "passado recente" que houve pouca cautela no que diz respeito a tentar tornar Torres Novas uma cidade mais acolhedora. Embora existam diversos projectos que têm como objectivo o melhoramento da cidade, há ainda zonas que não benificiam de quaisquer tipos de projectos ou obras de recuperação, como é o caso de uma parte do centro histórico da cidade, mais concretamente da zona que toma o nome de judiaria.
A judiaria é uma zona que remonta à época medieval e desde então tem sofrido diversas alterações que levaram ao estado no qual se encontra. Neste espaço os edifícios foram surgindo sem qualquer ordenamento de território e, alguns deles encontram-se em situações miseráveis. Há ruas nas quais não existe qualquer tipo de saneamento básico, as casas são deixadas ao abandono e os edifícios começam já mesmo a ruir.
Vista aérea do Centro histórico torrejano, com especial destaque para a zona da Judiaria
Edifício ruído localizado no centro da cidade
. Fachada de edifício localizado numa das principais artérias do centro da cidade. Há medida que se vão degradando, os edifícios são deixados ao abandono
Na nossa opinião é necessário um incentivo que desloque os moradores para aquela zona. Assistimos, neste momento, a um processo de causa efeito. Os cidadãos torrejanos estão-se a deslocar para a zona periférica da cidade, onde há a possibilidade de comprar imóveis mais confortáveis e mais novos do que os situados no centro. Isto vai provocar os estabelecimento das actividades do sector terciário na zona com maior concentração populacional o que vai levar, por sua vez, a uma nova vaga de migrações internas para essas mesmas áreas, sempre num processo contínuo.
Urge, então, que as actividades do sector terciário, que cada vez mais surgem na periferia da cidade, tenham condições para se poderem instalar em zonas mais centrais (é de frisar que Torres Novas tem, neste momento, sete grandes superfícies comerciais, todas elas localizadas nos limites da cidade).
Assistimos, então, à criação de um novo núcleo, uma nova zona na parte alta da cidade para onde os moradores cada vez mais se encaminham transformando-a num núcleo urbana que chega quase a ser independente da zona baixa da cidade.
Vista aérea da Zona Alta que, como se pode ver, ocupa um grande parte de Torres Novas tendo, ainda, uma tendência para aumentar (como se pode constatar pelas inúmeras construções de edifícios que continuam a ser feitas nesta)
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